Alex Lindolfo, 2008. Video digital, 7'16". Minduri- MG.
d e s t r o ç o s c o n c e i t u a i s :
d e s t r o ç o s c o n c e i t u a i s :
Voltei as costas à janela. A torre caía
sobre mim. Ou observava-me cegamente. Gosto de toda a espécie de torres. São
incompreensíveis. Foram construídas por pura bravata, um lirismo arrebatado e
improfícuo. Debaixo delas funciona um motor que nunca pára. De que servem as
torres? O motor trabalhava no meio de uma grande poça de silêncio. Não pensem
que as torres desaparecem assim, que nos livramos delas. Inquietam-nos. Caem
sobre as nossas cabeças ou contemplam-nos, imóveis, implacáveis. E imaginava eu
que mal repara nela. É assim: estamos diante das coisas; não as vemos. Só mais
tarde, absurdamente, sabemos que apenas fizemos isso: vê-las e possuí-las. E
ser apanhado por elas.
Herberto Helder, Os
passos em volta.
Mas foi por isso que as torres foram
construídas, não é? Elas não foram
construídas como fantasias de riqueza e poder que um dia se tornariam fantasias
de destruição? Você constrói uma coisa assim para depois ver desabar. A
provocação é óbvia. Senão, pra que fazer uma coisa tão alta e depois repetir,
fazer outra igual? É uma fantasia, então por que não duas? É o mesmo que dizer:
olha aqui, pode derrubar.
Don DeLillo, Homem
em queda.



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