segunda-feira, 10 de outubro de 2011

engastalho número 2: torres, arredores e ruínas.

  Alex Lindolfo, 2008. Video digital, 7'16". Minduri- MG. 

 d e s t r o ç o s  c o n c e i t u a i s : 

     Voltei as costas à janela. A torre caía sobre mim. Ou observava-me cegamente. Gosto de toda a espécie de torres. São incompreensíveis. Foram construídas por pura bravata, um lirismo arrebatado e improfícuo. Debaixo delas funciona um motor que nunca pára. De que servem as torres? O motor trabalhava no meio de uma grande poça de silêncio. Não pensem que as torres desaparecem assim, que nos livramos delas. Inquietam-nos. Caem sobre as nossas cabeças ou contemplam-nos, imóveis, implacáveis. E imaginava eu que mal repara nela. É assim: estamos diante das coisas; não as vemos. Só mais tarde, absurdamente, sabemos que apenas fizemos isso: vê-las e possuí-las. E ser apanhado por elas.


Herberto Helder, Os passos em volta.



     Mas foi por isso que as torres foram construídas, não é?  Elas não foram construídas como fantasias de riqueza e poder que um dia se tornariam fantasias de destruição? Você constrói uma coisa assim para depois ver desabar. A provocação é óbvia. Senão, pra que fazer uma coisa tão alta e depois repetir, fazer outra igual? É uma fantasia, então por que não duas? É o mesmo que dizer: olha aqui, pode derrubar.  
                                                                                                                          
Don DeLillo, Homem em queda.







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